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Vermicompostagem: o que é, quais as vantagens e como fazer

Descubra as principais características da vermicompostagem, que conta com o auxílio de minhocas para fazer a reciclagem dos resíduos orgânicos!

Dentro da compostagem existem dois tipos de processos: a vermicompostagem ou minhocultura e a compostagem seca. Uma não é melhor que a outra, mas cada uma tem suas especificações e indicações.

Hoje vamos apresentar as principais características da vermicompostagem que conta com o auxílio de minhocas para fazer a reciclagem dos resíduos orgânicos e transformá-los em fertilizantes naturais.

O que é vermicompostagem?

A utilização das minhocas é a principal diferença entre os tipos de compostagem, sendo que a compostagem seca se apoia no processo de decomposição dos resíduos por meio dos microrganismos presentes. Já a vermicompostagem utiliza o processo de digestão dos invertebrados paralelo a atuação das bactérias e fungos.

A vermicompostagem pode ser feita em grande ou pequena escala, sendo possível a preparação em casa. Além disso, ela se difere por suportar uma quantidade maior de resíduos e pela velocidade em que decompõe os resíduos. 

Como o seu princípio fundamental são as minhocas, se você precisa entender como elas funcionam, como criar seu próprio sistema de minhoca e os diversos benefícios desse método. Esta é uma forma de reciclagem de resíduos orgânicos de forma sustentável e ecologicamente correta.

Esse processo acaba acelerando a decomposição e a formação do húmus, um tipo de adubo formado por resíduos animais e plantas que é extremamente nutritivo. 

O fertilizante ainda é capaz de melhorar atributos químicos, físicos e biológicos do solo. Esse fator também o coloca como uma ótima matéria prima para a confecção de outros substratos ainda mais nutritivos, principalmente para a agricultura.

O mais interessante do húmus é o seu potencial nutritivo para o solo, já que ele favorece a entrada de ar e a circulação de água. Isso acontece porque o composto possui um pH estável, rico em carbono, nitrogênio, magnésio e potássio. 

Estudos mostraram que ele devolve à terra cinco vezes mais nitrogênio, duas vezes mais cálcio, duas vezes e meia mais magnésio, sete vezes mais fósforo e 11 vezes mais potássio.

Como funciona a vermicompostagem?

A vermicompostagem é um processo biológico que envolve especialmente minhocas vermelhas da Califórnia (Eisenia foetida), para decompor resíduos orgânicos. Para que o processo ocorra de forma adequada, é necessário se atentar aos critérios abaixo.

Local adequado

A vermicompostagem pode ser feita em uma composteira doméstica que geralmente utiliza caixas de madeira ou plástico. Este deve ser um ambiente controlado e com ventilação para fornecer oxigênio às minhocas. Para isso, você pode fazer pequenos furos na lateral da caixa ou na tampa para permitir a circulação do ar.

Um ambiente com sombra ou escuro é importante porque as minhocas são sensíveis à luz. Manter uma temperatura entre 15°C e 25°C é ideal para o crescimento das minhocas porque elas são mais ativas nesta faixa de temperatura.

Um ambiente favorável para a criação das minhocas evita que elas fujam do cativeiro. Por isso, é importante se atentar à umidade da composteira, ao tipo de resíduo descartado para evitar o aumento da temperatura, pH do ambiente, porosidade e quantidade de nitrogênio e carbono disponíveis.

Escolha das minhocas

As minhocas vermelhas são ideais para vermicompostagem porque são conhecidas por serem comedoras vorazes de matéria orgânica. Eles decompõem os resíduos em húmus de alta qualidade de forma rápida e eficiente. Esses vermes geralmente estão disponíveis para compra em lojas de jardinagem ou podem ser adquiridos online.

Esse tipo de minhoca é a mais adequado para viver em cativeiro, ou seja, dentro das composteiras, pois ela se alimenta de matéria orgânica morta, suportar melhor as variações de temperatura e pH que comumente acompanham o processo de decomposição de alimentos, e ainda se reproduzem de acordo com a quantidade de alimentos que ficam disponíveis a elas.

Resíduos orgânicos

Os resíduos orgânicos são todos os restos vegetais e animais, mas nem todos podem ir para uma vermicomposteira. Enquanto a compostagem seca aceita restos vegetais e animais para a decomposição, a compostagem com minhocas é mais restrita. 

Isso porque alguns resíduos demoram mais para se decompor e aumentam a temperatura do ambiente, o que pode prejudicar o funcionamento das minhocas.

Por isso, atente-se a cascas de frutas, cascas de vegetais, borra de café, folhas secas, papelão picado e até restos de vegetais, como os principais componentes que podem ser decompostos por elas.

Uma boa medida é cortar ou triturar os resíduos em pedaços menores, pois isso facilita o processo de decomposição pelas minhocas. Evite adicionar restos de carne, laticínios, óleos ou alimentos processados, pois podem atrair pragas indesejadas e não são adequados para vermicompostagem.

Atividades com minhocas

As minhocas se alimentam dos resíduos orgânicos colocados na composteira. Ao consumir os resíduos, esses materiais passam pelo sistema digestivo da minhoca, onde ocorre a decomposição. Elas conseguem digerir grandes quantidades de resíduos em um curto espaço de tempo. 

Enquanto a compostagem seca pode levar de semanas a anos, a vermicompostagem é feita de semanas a meses. Com isso, elas apresentam alta atividade, taxa de conversão do composto em húmus e elevada taxa de reprodução.

Produção de húmus de minhoca

O húmus de minhoca é o produto final do processo de vermicompostagem e é coletado em caixas. À medida que a cobertura se acumula, você pode separar as minhocas do material não tratado. 

Uma técnica comum é empurrar todo o material não processado para um lado da caixa e começar a despejar os resíduos para o outro lado. As minhocas irão gradualmente se movimentar em busca de alimentos frescos.

Em relação ao tempo de produção, pesquisas da Embrapa mostraram que é possível ter o produto final pronto em aproximadamente 90 dias. 

O húmus pronto deve ter a aparência de uma terra fofa, com isso, deve ter cor escura como de café, cheiro agradável de terra, de mato, aspecto “gorduroso” e consistência friável ou que se fragmenta com a pressão dos dedos.

Por que realizar a vermicompostagem?

Assim como os demais tipos de compostagem, a sua realização é uma opção eficaz para retirar do ambiente restos de materiais orgânicos. Mas para além disso, a vermicompostagem produz um insumo muito nutriente para utilização na agricultura e em casa, o que gera benefícios ecológicos e econômicos.

Ao contrário da compostagem tradicional ou seca, a vermicompostagem é uma ótima opção para reciclar resíduos orgânicos sem causar odores, transforma materiais instáveis em substratos estáveis e ainda elimina a proliferação de microrganismos patogênicos que poderiam fazer mal. 

O processo ainda é mais rápido que o convencional, já que conta com a ajuda da digestão das minhocas, criando um composto extremamente nutritivo e benéfico ao meio ambiente.

Quais as principais diferenças entre a compostagem e a vermicompostagem?

Como dito, a principal diferença entre a compostagem e a vermicompostagem é apenas os organismos utilizados para fazer a decomposição dos materiais orgânicos. Enquanto a primeira, também chamada de compostagem seca, utiliza os microrganismos para a decomposição, a segunda conta com o auxílio das minhocas.

Mas existem outras especificações que se diferenciam uma da outra. Ambas os processos decompõem matéria orgânica e geram adubos ricos em nutrientes, porém, a compostagem gera adubo orgânico decorrente do tipo de alimento que é colocado para a decomposição. 

Por exemplo, a compostagem seca abre a possibilidade de descartar produtos de origem animal para a decomposição e assim os nutrientes absorvidos pelo adubo serão de acordo com esses materiais.

Em contrapartida, na vermicompostagem só é possível decompor materiais de origem vegetal, que estão de acordo com a alimentação das minhocas. Porém, o processo de digestão das minhocas adiciona a esse adubo outros tipos de nutrientes que deixam o húmus rico e estabilizado. 

Outra diferença é que a vermicompostagem precisa de mais cuidados, já que as minhocas precisam de um ambiente propício para viverem e qualquer alteração pode causar a morte delas. Isso significa que todos os dias devem ser observados a umidade, o arejamento, o pH inadequado, a temperatura, entre outras condições da composteira. 

Já na compostagem seca, o principal a ser observado é o arejamento, a baixa umidade e a exposição solar que auxilia no trabalho de decomposição dos microrganismos. O ambiente também é totalmente controlado para a verificação dos processos.

Os cuidados com a vermicompostagem também devem ser minuciosos para evitar o acúmulo de minhocas no topo ou no fundo da composteira/minhocário, odores desagradáveis, aparecimento de moscas e o próprio húmus virar comida para as minhocas.

Quais as principais vantagens da vermicompostagem?

O principal benefício da compostagem no geral é a reciclagem dos materiais orgânicos e a retirada deles do ambiente. Isso melhora em mais de 50% o lixo dos brasileiros, por exemplo, já que metade do lixo familiar é composto por restos de alimentos que podem aumentar a quantidade de carbono que é lançado ao ambiente e chorume que polui o solo e a água.

O húmus de minhoca produzido também é um importante adubo para o solo, favorecendo de forma intensa o cultivo tanto em casa quanto em grandes plantações, como na agropecuária. 

Os nutrientes desse fertilizante natural geram energia para os organismos benéficos do solo, aumentam a infiltração e o armazenamento de água e a penetração de oxigênio na terra.

Quando aumenta a energia dos microrganismos benéficos ao solo, isso também significa a diminuição das plantas invasoras e dos microrganismos patogênicos, uma vez que o aumento da energia aumenta a temperatura do solo, o que é favorável para os cultivares, mas desfavorável para algumas pragas. 

O baixo custo para a produção desse adubo por meio da compostagem também é um grande atrativo, uma vez que a fabricação da composteira pode ser feita de forma caseira e a alimentação dela é composta pelos restos orgânicos produzidos em casa e que são recorrentes e infinitos.

A vermicompostagem ou a compostagem seca são a principal forma de reciclagem e reutilização dos materiais orgânicos, promovendo um fim nobre e sustentável a eles. Isso mostra o seu potencial ecológico e eficaz, já que ele retira o do ambiente o que é ruim e retorna a ele um produto nutritivo.

De forma geral, a vermicompostagem ainda auxilia:

  • na manutenção do solo, sem agressão ao meio ambiente;
  • por não ser industrializado, não possui componentes químicos que poderiam contaminar o solo e a água;
  • é uma grande fonte de nutrientes para enriquecer o solo e fortalecer as plantas;
  • é uma ótima opção para a correção das propriedades do solo, isso é, melhorar a toxicidade e equilibra os nutrientes como o alumínio, o ferro e o manganês;
  • aumento da resistência das plantas às pragas e doenças;
  • fortalece as raízes das plantas, favorecendo a absorção de nutrientes por meio da melhor circulação de ar e água;
  • blinda e melhora a estrutura do solo, o que também favorece os microrganismos benéficos;
  • propicia a produção de alimentos mais saudáveis, já que diminui ou até elimina a utilização de agrotóxicos na produção;
  • economicamente e de forma sustentável ainda produz um adubo eficaz e barato para a manutenção de jardins e hortas.

Como fazer a vermicompostagem em casa?

Agora que você entende como funciona a compostagem de minhocas, seus benefícios e desafios, vamos te ajudar a criar seu próprio sistema de compostagem de minhocas em casa:

  1. Escolha da caixa de compostagem

Escolha uma, duas ou três caixas que se adaptem ao seu espaço e necessidades. Pode ser de plástico ou madeira e deve ter tampa para controlar a umidade e a temperatura em seu interior. O tamanho da caixa dependerá da quantidade de resíduos que você pretende compostar.

Vale lembrar que a compostagem é um processo simples e higiênico para reciclar seus resíduos orgânicos, mas precisa de atenção e cuidados para evitar problemas.

  1. Prepare um lugar para as minhocas

No fundo da caixa de compostagem, crie uma camada de material úmido. Isso pode ser feito com papelão molhado e lençóis úmidos. Esta camada criará um ambiente confortável para as minhocas e ajudará a manter níveis adequados de umidade.

No caso de um sistema maior, com duas ou mais caixas, é necessário que as primeiras caixas tenham tampas e pequenos furos, elas servirão de decompositoras, onde ficarão as minhocas. A última será a caixa coletora, para onde passarão o chorume e o material decomposto.

  1. Adicionando minhocas

Comece com um número moderado de minhocas, geralmente entre 100 e 200, dependendo do tamanho do seu aquário. A minhoca vermelha da Califórnia (Eisenia fetida) é a espécie mais popular usada como fertilizante. Coloque as minhocas sobre uma camada úmida.

  1. Faça dieta regularmente

Evite sobrecarregar as minhocas com resíduos no início. Aos poucos adicione resíduos orgânicos e distribua uniformemente na caixa. As minhocas se alimentam de resíduos como cascas de frutas e vegetais, borra de café, tecidos usados e outras matérias orgânicas. Evite adicionar produtos de origem animal, alimentos processados ou itens com alto teor de gordura à caixa.

É importante adicionar pedaços pequenos de alimentos e em camadas. Primeiro a camada úmida onde as minhocas se sentirão confortáveis, em seguida a camada de alimentos. À medida em que elas forem decompondo os alimentos, o húmus vai se formando acima da camada de conforto e umidade e abaixo da camada mais superficial de materiais orgânicos.

Separar os resíduos em categorias também pode ajudar no momento de fazer a dieta das minhocas. Resíduos “verdes” são ricos em nitrogênio, incluem restos de comida e grama cortada. Resíduos “marrons” são ricos em carbono, incluem folhas secas, papelão, serragem e galhos picados.

  1. Manutenção

Verifique regularmente a umidade na caixa de compostagem. Deve ter a consistência de uma esponja úmida. Se estiver muito seco, borrife o resíduo com água e misture para distribuir a umidade de maneira uniforme. Se estiver muito úmido, adicione material seco, como papel picado ou folhas secas, para equilibrar a umidade.

De vez em quando vire o conteúdo da caixa para oxidar o composto e acelerar o processo de decomposição. Você pode fazer isso usando um garfo de jardim ou ferramenta semelhante.

Monitore a temperatura na caixa de compostagem. Temperaturas muito baixas podem retardar o processo de decomposição, enquanto temperaturas muito altas podem prejudicar as minhocas.

  1. Colheita de húmus de minhoca

Quando o composto estiver pronto, você pode retirá-lo da caixa. Ele estará repleto de nutrientes valiosos que podem ser usados para enriquecer o solo do seu jardim ou canteiro de vegetais. Vale lembrar que o húmus se assemelha com uma terra bem preta.

Qual é o papel das minhocas e dos microrganismos durante a vermicompostagem?

Na vermicompostagem, assim como a compostagem tradicional, há o processo de decomposição natural dos materiais orgânicos, contando ainda com a ação dos microrganismos. Esse processo é mais lento, o que faz com que o produto final fique pronto em até um ano ou mais.

Mas com a presença das minhocas, como elas se alimentam desses restos e fazem o processo de digestão de forma constante, isso acelera um pouco o processo, podendo fazer a coleta do húmus a partir de 90 dias.

Dentro da vermicompostagem os dois processos de reciclagem acontecem juntos, mas a presença das minhocas aceleram o processo e ainda adicionam mais nutrientes ao adubo gerado. Isso porque os próprios microrganismos presentes no trato digestivo dos vermes transformam material orgânico pouco degradado em matéria orgânica estabilizada.

Vale a pena a vermicompostagem?

A vermicompostagem é uma técnica verdadeiramente fascinante, que ilustra o papel essencial que as minhocas desempenham na transformação de resíduos orgânicos em fertilizantes valiosos. Seus benefícios econômicos e ecológicos ainda deixam claro que adotar esse tipo de compostagem em casa é possível e viável.

Compreender como funciona este processo, aprender a criar o seu próprio sistema de vermicompostagem em casa e perceber os muitos benefícios associados a este método é um passo importante para um estilo de vida sustentável e mais amigo do ambiente.

O composto produzido ainda pode ser armazenado e vendido, desde que estejam em local arejado e fora do sol e da chuva, para manter sua consistência e não haver a criação de microrganismos patogênicos.

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