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Microplásticos: o que são, fontes e os impactos na vida humana

O microplástico se tornou um dos principais vilões da poluição dos oceanos, impactando a fauna e flora marítima. Saiba como combater esse mal!
saco de plastico no oceano

Nos últimos anos, começamos a nos deparar com notícias indicando a presença de microplásticos nos oceanos, dentro de animais e até mesmo no sangue humano. Mas você sabe bem o que são esses resíduos e como eles chegaram até esses locais mais inusitados?

Mas se engana quem pensa que eles começaram a aparecer agora, a primeira vez em que foram identificados esses materiais no meio ambiente foi em 1970 e desde então passaram a ser uma preocupação crescente dos ambientalistas, pois como o próprio nome diz, eles são micro e podem se infiltrar em qualquer espaço.

Entenda um pouco mais sobre os microplásticos e seus impactos.

O que são microplásticos?

Os microplásticos nada mais são do que pequenos pedaços de plástico, de até 5 milímetros, muitas vezes até invisíveis a olho nu. Eles são os detritos de produtos de plástico, geralmente formados por polietileno tereftalato (PET), polipropileto (PP), poliestireno (PS), poliuretano (PU), policloreto de vinila (PVC) e náilon (PA).

Para se ter uma ideia, em 1950 foram produzidas 2 milhões de toneladas de plático. Em 2022, esse número chegou a 390 milhões. Agora imagine essa quantidade multiplicada em pedaços minúsculos que podem ser levados pelo vento, pelas águas e até por pessoas a milhares de lugares?

Eles então se tornaram um grande problema, já que podem estar em todos os cantos e não deixaram de ser plástico e de possuírem o mesmo tempo de decomposição, ou seja, 400 anos. Teoricamente, uma garrafa pet demoraria o mesmo tempo para se decompor que um microplástico, porém a garrafa pet é possível ver, recolher e reciclar, enquanto com o microplástico não há essa possibilidade.

Eles podem vir dos detritos dos próprios objetos de plástico ou já serem produzidos em microformatos, como é o caso de cremes esfoliantes, cosméticos, produtos de higiene pessoal, tecidos sintéticos e outros objetos muito comuns na nossa rotina e contém micropartículas. 

O que os microplásticos causam?

De forma geral, os microplásticos podem causar danos à fauna, à flora e ao organismo dos seres humanos. Eles poluem os oceanos, a terra e o ar, podendo se infiltrar nos recursos naturais que consumimos. 

O impacto mais comum e conhecido é a poluição dos oceanos e a morte de animais marinhos por asfixia. Isso porque eles acabam respirando ou ingerindo essas partículas gerando danos aos pulmões, lesões aos demais órgãos e até obstruções intestinais.  

Outro principal problema dos microplásticos é a sua alta capacidade de absorver toxinas, o que também torna-se prejudicial. Uma pesquisa do Instituto de Pesquisa de Sistemas Ambientais da Universidade de Osnabrück mostrou que eles absorvem pesticidas, agrotóxicos, metais pesados e outros poluentes presentes principalmente nos oceanos, então, quando os serem humanos ou animais ingerem, pode gerar danos à saúde e à biodiversidade de forma mais agressiva.

Observe a cadeia: pequenos animais se alimentam dos microplásticos contaminados. Em seguida, são comidos por peixes maiores, propagando a intoxicação. No fim, se esses peixes chegam à mesa para serem consumidos por seres humanos, também há essa proliferação de toxinas e poluentes.

Pode ser que não aconteça uma intoxicação de imediato, mas a ingestão de agentes tóxicos ou poluentes orgânicos persistentes (POPs) pode acarretar disfunções hormonais, imunológicas, neurológicas e reprodutivas. Os plásticos também contém bisfenol, que são conhecidos por grandes danos à saúde e ao meio ambiente.

Qual a maior fonte de microplásticos?

Os microplásticos podem aparecer de forma primária, quando já são produzidos em micropartículas, e de forma secundária, quando são derivados de outros objetos de plástico ou que apresentam esse elemento em sua composição. Mas a princípio, precisamos voltar um pouco e entender o que é o plástico.

Cabe ressaltar que o plástico é um polímero produzido de forma artificial a partir do petróleo. Ele é facilmente moldado quando é aquecido, formando diversos objetos com várias funcionalidades. Também é leve, durável, impermeável, bom isolamento térmico e elétrico e tem baixo custo de produção, por isso, está presente no cotidiano das pessoas.

De maneira simples, um objeto de plástico dura em torno de quatro anos, e apenas 9% é reciclado, enquanto é 19%  incinerado e transita pela terra ou ar e 72% acaba em aterros e no meio ambiente, podendo chegar aos lençóis freáticos e poluindo rios e mares. 

Mas além disso, quando eles chegam aos oceanos, os polímeros que formam o objeto de plástico se degradam com muita facilidade e assim transformam-se nos microplásticos. Em números, atualmente é possível dizer que existam 30 milhões de toneladas de resíduos plásticos nos mares, enquanto 109 toneladas estão nos rios e posteriormente chegaram aos oceanos.

Microplásticos primários

A origem primária dos microplásticos se dá quando são produzidos propositalmente em tamanhos reduzidos para uso comercial. Exemplos são os pellets, pequenas esferas plásticas utilizadas na fabricação de diversos produtos plásticos, e os microplásticos utilizados na indústria de cosméticos. Alguns tecidos e fibras sintéticas também apresentam esse tipo de material.

Microplásticos secundários

Já os microplásticos secundários são formados a partir da fragmentação dos objetos de plástico convencional. Isso ocorre principalmente por causa da exposição solar e da presença em ambientes marinhos. Nesse sentido, quaisquer objetos que possuem polímeros em sua composição podem ser fonte de microplásticos. 

Ainda, os microplásticos podem se formar por meio de degradação química como biodegradação (ação por micro-organismos), fotodegradação (incidência de radiação UV), degradação termal (influência da variação de temperatura), degradação termo-oxidativa (oxidação em temperaturas moderadas) e hidrólise (reação química com a água).

Quais os impactos dos microplásticos no meio ambiente?

Como os microplásticos são pequenos flagelos, eles podem se fixar em vários ambientes, mas principalmente são encontrados em grande maioria nos oceanos. Eles foram identificados pela primeira vez no interior de cerca de 270 grupos de seres vivos diferentes. Por causa do seu tamanho, eles acabam atingindo a base das cadeias alimentares.

Oceano

Como o ambiente marinho é propício para a degradação do plástico, as pequenas partículas são comumente encontradas nos ecossistemas aquáticos. Além disso, os oceanos também são atingidos por produtos químicos que, por sua vez, são incorporados nos microplásticos que são ingeridos pelos animais marinhos.

Os microplásticos, então, podem ser considerados uma das principais fontes de poluição dos oceanos. Estimativas apontam que já existem de 50 a 75 milhões de toneladas de microplásticos nos oceanos, sendo que cerca de 14 milhões de toneladas já atingiram o fundo do mar. 

Isso significa que os microplásticos já chegaram aos recifes de corais, um dos principais ecossistemas responsáveis pelo nosso oxigênio, e que estão interagindo cada vez mais com as pequenas partículas. Isso porque elas se aderem facilmente ao esqueleto dos moluscos, por exemplo, já que eles podem possuir alguns tentáculos que grudam.

Como os corais ficam presos no fundo dos oceanos, eles não conseguem se proteger dos microplásticos que chegam até eles. A adesão dos microplásticos aos recifes pode deixá-los mais fracos, ou causar problemas de saúde aos corais e moluscos. Fora que os recifes de corais também são morados para outras espécies, como pequenos peixes, camarões, algas marinhas, vermes e demais animais.

Cadeia alimentar

Os microplásticos podem ter cores atrativas e assim se passar por presas de alguns animais marinhos. Quando se alimentam, os animais se intoxicam e assim formam uma bola de neve de infecção por toda a cadeia alimentar. Na Indonésia, por exemplo, os pescadores já estão consumindo mexilhões contaminados por plásticos.

Em outras localidades, como Reino Unido e Austrália, os mexilhões já estão contaminados. Mas não estão restritos somente a esses países, estudos da Universidade de Bayreuth mostraram que os microplásticos estão presentes em mexilhões de todo o mundo. 

Vale lembrar que os microplásticos podem ser esponjas que sugam algumas toxinas do oceano e quando os animais se alimentam deles, acabam se intoxicando ou gerando a bioacumulação (quando substâncias tóxicas se acumulam em organismos que devoram outros).

Água de consumo e nos alimentos

É nesse ponto também que os seres humanos podem se intoxicar, já que consomem vários pescados vindos do mar. Pesquisadores da Universidade John Hopkins (EUA) contam que qualquer europeu que consome frutos do mar regularmente pode estar consumindo 11 mil microplásticos por ano.

Parece absurdo, mas os microplásticos podem estar presentes na água potável, nos alimentos e até no ar que respiramos. Estudos e análises recentes já mostram essa realidade e concluíram que a água que bebemos, por exemplo, pode ser uma fonte significativa de microplásticos na dieta humana.

Um outro estudo do Greenpeace e da Universidade Nacional de Incheon (Coreia do Sul) mostrou que 90% das amostras de sal recolhidas mundialmente continham microplásticos. Ainda, os estudos mostram que os alimentos podem ser contaminados em diversas etapas de processamento, não sendo as embalagens de plástico as principais fontes.

Quais os efeitos dos microplásticos no ser humano?

O que temos que ter em mente é que, independente da fonte de contaminação, os microplásticos são tão prejudiciais à vida marinha quanto à saúde dos seres humanos. Quanto menor as partículas, mais estragos elas podem fazer. Estudos mostram que elas podem se infiltrar na corrente sanguínea, no sistema linfático e chegar ao fígado.

Cientistas do Departamento de Biologia da Universidade de Victoria chegaram à conclusão que uma pessoa, dependendo da idade e do sexo, pode ingerir por ano de 74 mil a 121 mil partículas de plástico presente nos alimentos. 

Ainda existem poucos estudos que comprovem os efeitos do microplástico no organismo humano, mas do pouco que se sabe, muito estrago pode ser feito. Um dos problemas mais comuns é o alojamento dessas partículas nas paredes dos órgãos, no sistema digestivo e gerar até uma obstrução. 

Microplástico pode se alojar dentro dos pulmões

Estudos do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da Universidade de São Paulo (USP) mostraram que algumas partículas de nylon foram encontradas em células do tecido pulmonar. Isso pode significar um dano grande no desenvolvimento de células tronco pulmonares, prejudicando pulmões em desenvolvimento e a cicatrização das vias aéreas.

Doenças inflamatórias intestinais

A ingestão dos microplásticos ainda podem inflamar o sistema digestivo humano e impedir a digestão dos alimentos. Pesquisas mostram que além de interferir na mucosa estomacal, os resíduos podem ser degradados por enzimas digestivas, o que libera as toxinas presentes e geram mais inflamações.

Microplásticos revelados na placenta de gestante

Cientistas da Itália identificaram, em 2020, microplásticos aderidos à placenta de mulheres grávidas. Isso significa um risco muito grande de contaminar o bebê e a mãe, além de poder gerar doenças e infecções que podem acionar alguma resposta imunológica ou provocar a liberação de toxinas, o que pode ser nocivo durante uma gestação.

Mamadeira pode ser fonte de microplástico em bebês

Nem os bebês estão livres de contaminações por microplásticos. Uma pesquisa publicada na revista Nature Food mostrou que em um teste feito com 10 tipos de mamadeiras diferentes elas liberaram entre 1,3 milhão e 16,2 milhões de partículas por litro de fluido. Isso significa que um bebe que consome leite pela mamadeira pode consumir, em média, 1,6 milhão de partículas de microplástico todos os dias.

O processo de aquecer e sacudir as mamadeiras com o leite pode causar a liberação de ainda mais microplásticos. O estudo ainda observou a exposição dos bebês de até 12 meses aos microplásticos e o resultado é maior do que se esperava, mostrando que eles podem consumir de 14.600 a 4 milhões e meio de partículas por dia.

Doenças cardíacas

Também pela primeira vez, cientistas chineses identificaram microplásticos num coração humano. Usando laser infravermelho e microscopia eletrônica durante cirurgias cardíacas, eles conseguiram coletar amostras que continham partículas minúsculas de plástico. 

O maior deles media 469 micrômetro de diâmetro (o equivalente a um milionésimo de metro ou à milésima parte de um milímetro). Nas análises também foram constatados nove tipos diferentes de microplástico.

Além disso, os microplásticos também foram encontrados na corrente sanguínea dos seres humanos, podendo gerar acúmulo nas artérias e doenças cardiovasculares. Tromboses e doenças inflamatórias também podem ser geradas por causa dos resíduos.

Síndrome do ovário policístico

O contato dos microplásticos com o organismo dos seres humanos podem causar disfunções em diversos órgãos, exemplo são os órgãos reprodutivos femininos e masculinos. Além de se alojarem e liberar toxinas, os micropláticos podem causar doenças como ovário policístico, endometriose, abortos e até infertilidade.

Câncer

Outro principal problema causado pelos microplásticos é o câncer. Testes realizados em laboratórios mostraram que as micropartículas podem causar danos e morte das células, induzindo um processo em que as células saudáveis se transformam em células cancerígenas e reações alérgicas. Um estudo publicado na revista científica Physics of Fluids mostraram que os microplásticos podem causar danos oxidativos, danos ao DNA e alterações na atividade genética, que são riscos conhecidos de câncer.

O bisfenol e os ftalatos, encontrados em algumas partículas, também são substâncias cancerígenas que podem potencializar as consequências dos microplásticos no organismo. Além disso, eles são desreguladores endócrinos e podem alterar o funcionamento de diversos órgãos e do metabolismo hormonal.

Infertilidade

As toxinas presentes nos microplásticos e suas próprias estruturas são desreguladores hormonais que podem causar cânceres de mama, próstata e testículos e problemas reprodutivos com malformações genitais e infertilidade, principalmente quando são ingeridos desde a primeira infância. 

Outro ponto crucial que interfere a saúde reprodutiva é o efeito dos ftalatos no organismo, já que, segundo estudos, ele tem a capacidade de diminuir a testosterona. Esse fato ainda pode levar à diminuição do órgão reprodutor masculino e a diminuição da produção de espermas. Para as mulheres, o bisfenol também pode infertilidade feminina.

Quais são as soluções para os microplásticos?

Os microplásticos são um problema cada vez mais comum nos países, o que fez com que eles adotassem medidas que proíbam a confecção de produtos que possam liberar essas pequenas particulas. Exemplos são o Reino Unido, os EUA, o Canadá e a Nova Zelândia que já proibiram a fabricação de produtos de cuidados pessoais que contenham microplástico.

Ainda, a Costa Rica anunciou em 2017 uma estratégia nacional para proibir todos os plásticos de uso único, enquanto a União Europeia também proibiu, contato que haja alternativas sustentáveis. Cada vez mais estão aparecendo soluções viáveis para minimizar o impacto dos microplásticos nos oceanos. 

No dia a dia, já existem objetos mais sustentáveis ou materiais de plástico biodegradáveis. O ideal é começar a adotar essas alternativas para evitar o uso de produtos de plástico que soltam micropartículas e podem intoxicar o seu corpo.

Confira mais algumas soluções:

Existem ainda ações que auxiliam no recolhimento de plástico dos oceanos e das próprias casas, auxiliando numa rede de economia circular para a reciclagem desses objetos. Comece separando o seu lixo doméstico e utilizando materiais mais sustentáveis. Também atente-se ao tipo de embalagem que está consumindo e armazenando seus alimentos.

Como bem visto, os microplásticos estão no nosso cotidiano e podemos chegar a ingerí-los e ainda oferecer aos bebês. Identificá-los ainda é um desafio, mas evitá-los já é uma realidade próxima. Faça a sua parte para evitar a sua contaminação e a contaminação dos rios, mares e dos animais marinhos.

Em nosso blog, possuímos diversos artigos sobre a utilização de materiais sustentáveis, escolhas mais inteligentes e novos materiais que estão sendo produzidos para o comércio sustentável. Acesse e comece sua jornada ambientalmente consciente!

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